Métodos Contraceptivos e Religião

Os métodos contraceptivos foram criados com o intuito de se melhorar o planejamento familiar da sociedade moderna, através da prevenção da gravidez. Eles compreendem as camisinhas masculina e feminina, o diafragma, as pílulas ou injeções hormonais, o diu, a tabelinha, o coito interrompido, a laqueadura e a vasectomia. Embora representem um avanço na medicina, na química e na tecnologia em geral, esses métodos causam polêmica numa sociedade cultural e religiosamente heterogênea.
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Já os que recriminam seu uso argumentam que o objetivo do sexo deve ser exclusivamente reprodutivo, ou seja, ignoram a complexidade da natureza sexual do homem, conferindo a ela um aspecto puramente biológico e animal.
O ponto de vista sobre esta questão varia de uma religião para outra. A Igreja Católica tolera apenas o planejamento familiar não artificial; enquanto isso os protestantes estão divididos, pois alguns apoiam levemente os métodos contraceptivos, e outros não endossam essa prática. Entre os judeus há também uma diversidade de opiniões, desde a mais conservadora, defendida pelos ortodoxos, até a mais tolerante, admitida pelos reformistas. Os muçulmanos aceitam os anticoncepcionais se eles não lesarem o equilíbrio orgânico nem provocarem a esterilidade, mas sempre que podem desestimulam seu uso. Já os hindus utilizam amplamente os métodos, tanto os naturais quanto os artificiais.
Em 2008, o papa Bento XVI afirmou que os anticoncepcionais negam o objetivo do casamento, que - segundo ele - é ter filhos. Ele afirmou isto na mensagem que enviou a um congresso realizado em Roma para comemorar o aniversário de 40 anos da promulgação, por Paulo VI, da encíclica Humanae Vitae. "A possibilidade de procriar faz parte da total entrega dos cônjuges. Qualquer forma de amor tende a divulgar a plenitude com que se vive, e o amor conjugal tem um modo próprio de se comunicar, que é gerar filhos", declarou o pontífice. Ele acrescentou que "excluir" esta dimensão "por meio de ações que impeçam a procriação significa negar a verdade íntima do amor conjugal".
Além disso, o papa reconheceu que na vida de muitos casais há "graves" momentos que "aconselham distanciar o nascimento dos filhos ou inclusive suspendê-lo" e neste ponto defendeu o uso de métodos contraceptivos naturais. "Nesse momento o conhecimento dos ritmos naturais da fertilidade da mulher é muito importante para a vida do casal. Estes métodos que permitem ao casal determinar os períodos de fertilidade lhe permitem administrar o que Deus inscreveu sabiamente na natureza humana, sem alterar o íntegro significado da entrega sexual", declarou o papa.
Essa questão polêmica está presente também na política. Recentemente, em meio às Eleições Primárias do Partido Republicano de 2012 nos Estados Unidos da América, o pré-candidato Mitt Romney lançou uma campanha contra a inclusão de anticoncepcionais nos planos médicos implementados pela administração de Barack Obama. Pelo Twitter, ele considerou-a um "ataque à liberdade religiosa" nos EUA.
"Se está farto dos ataques da administração Obama contra a liberdade religiosa, junte-se a mim e assine este pedido", pediu Romney na rede social. Segundo ele, através da reforma do sistema de saúde norte-americano promulgada em 2010, o Governo de Obama procura "impor uma visão secular aos norte-americanos". A norma, a seu ver, "obriga aos hospitais, organismos de caridade e universidades" administrados pela Igreja Católica a oferecer a seus empregados planos médicos que também cubram "anticoncepcionais, abortivos e serviços de esterilização".
A campanha pela reeleição de Obama imediatamente respondeu os ataques de Romney, ao assinalar que suas políticas quando exerceu o cargo de governador do estado de Massachusetts foram "idênticas" às incluídas na reforma sanitária.
Cabe a cada um de nós a avaliação dessa questão tendo em vista nossos próprios valores éticos e morais, nossos interesses sexuais e amorosos e nossos planos de vida a longo prazo. O importante é nunca esquecer que muitos dos métodos contraceptivos são bastante eficientes contra gravidezes indesejadas e que a camisinha é o único meio que dispomos para a prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis. Além disso, o sexo deve ser feito, independentemente de tudo, com responsabilidade e carinho.
Abraços da Dra. Alê!